"Se vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes." — Isaac Newton

NA EDIÇÃO DE HOJE

✈️ Acelen aposta na macaúba e IA para viabilizar o custo do SAF no Brasil
🌾 Queda das commodities reprecifica terras e abre janelas para os Fiagros
🐔 Suspensão do frango brasileiro na União Europeia deve durar até novembro
🌱Coopercitrus Expo celebra 50 anos da cooperativa e projeta R$ 2 bilhões em negócios
🌾 Coamo expande presença no Paraná com novos ativos da Belagrícola
📈 Citi reduz preço-alvo da SLC Agrícola, mas prevê melhora no 2º trimestre
🤝 Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal e fortalece originação de grãos no Brasil
🦆 Brasil veta produção e comercialização de foie gras e torna-se pioneiro na América Latina
⚖️ Regulação & Defesa da Concorrência: Superintendência do Cade recomenda condenação de empresas da Bayer por condutas anticoncorrenciais
🌱 Área plantada de soja deve estagnar no Brasil pela 1ª vez em 20 anos, prevê Rabobank

INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

✈️ Acelen aposta na macaúba e IA para viabilizar o custo do SAF no Brasil

A Acelen Renováveis (braço de biocombustíveis do fundo Mubadala Capital) está estruturando o uso da macaúba como a principal matéria-prima para sua futura biorrefinaria em Mataripe (BA), mirando a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e diesel renovável. Como o SAF chega a custar até três vezes mais que o querosene fóssil, a empresa aposta na alta produtividade de óleo por hectare da palmeira nativa — de sete a dez vezes superior à da soja — para solucionar o nó do custo do insumo no setor aéreo.

Com foco em terras degradadas (com plano de recuperar até 180 mil hectares em SP, BA e MG), a cultura da macaúba não compete com a produção de alimentos nem induz ao desmatamento. Para acelerar a escala da planta e viabilizar o projeto comercialmente, a companhia investe em tecnologia no seu centro de germinação (Agrocenter), utilizando inteligência artificial, genética e clonagem para reduzir o prazo de maturação das mudas de 90 para 67 dias. Já foram plantados 644 hectares (com meta de atingir 2 mil até o fim de 2026), enquanto a empresa busca a certificação internacional Corsia e constrói conexões logísticas com o Terminal de Madre de Deus (Temadre) para atender à demanda de descarbonização regulatória a partir dos próximos anos.

Saiba mais em: The AgriBiz

MERCADO E INVESTIMENTOS

⚖️ Regulação & Defesa da Concorrência: Superintendência do Cade recomenda condenação de empresas da Bayer por condutas anticoncorrenciais

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação de empresas do grupo Bayer pela prática de condutas infração à ordem econômica no mercado brasileiro de defensivos e sementes agrícolas. O órgão antitruste concluiu que a multinacional adotou estratégias comerciais anticompetitivas — como imposição de exclusividade, vendas casadas e barreiras contratuais —, prejudicando a atuação de concorrentes e restringindo opções no canal de distribuição.

O parecer técnico fundamenta que os acordos comerciais firmados com distribuidores e revendedores criavam incentivos distorcidos e travas que limitavam o acesso de outras fabricantes de insumos aos pontos de venda e ao produtor rural. Com a conclusão da fase instrutória na Superintendência, o processo administrativo segue para o Tribunal Administrativo do Cade, onde um conselheiro relator julgará o mérito final, cabendo às empresas aplicar penalidades financeiras e determinações de adequação contratual em caso de ratificação do parecer.

Saiba mais em: Globo Rural

🤝 Zen-Noh adquire 30% do Grupo Cereal e fortalece originação de grãos no Brasil

A gigante de cooperativas agrícolas japonesa Zen-Noh acertou a aquisição de uma participação de 30% no Grupo Cereal, empresa com mais de 40 anos de atuação e sede em Rio Verde (GO). O objetivo central do acordo é criar uma plataforma de crescimento sustentável que conecte a rede global de comércio internacional do grupo japonês à infraestrutura de originação de grãos, processamento e produção de biocombustíveis da companhia goiana.

A transação preserva o modelo de governança e controle familiar, com a família Barauna mantendo 70% da participação acionária, a gestão operacional e a liderança executiva da empresa, além da transição do fundador Evaristo Lira Barauna para a presidência do Conselho de Administração. O movimento fortalece a presença da Zen-Noh na originação no Centro-Oeste brasileiro — somando-se às suas operações na ALZ Grãos no Matopiba —, enquanto aguarda a aprovação dos órgãos regulatórios para a conclusão formal do negócio.

Saiba mais em: Forbes Brasil

🌾 Queda das commodities reprecifica terras e abre janelas para os Fiagros

A pressão sobre o preço dos grãos e a compressão das margens de lucro no campo vêm gerando um movimento de reprecificação das terras agrícolas no Brasil, criando oportunidades de investimento para fundos imobiliários rurais e Fiagros. Em regiões nobres do agronegócio — como Sorriso (MT) —, o valor médio do hectare recuou de cerca de R$ 200 mil há três anos para aproximadamente R$ 100 mil, levando grupos sólidos e produtores capitalizados a aceitarem operações financeiras antes raras no mercado.

O cenário abriu portas para estruturas de sale and leaseback (venda da propriedade acompanhada pelo arrendamento de volta ao produtor e opção de recompra futura), onde terras qualificadas chegam a ser negociadas a R$ 50 mil ou R$ 55 mil por hectare como alternativa de liquidez. Ao mesmo tempo, gestoras como XP Asset e Riza apontam que a busca por operações mais seguras e parcerias estruturadas permitiu reduzir o spread praticado no crédito (com taxas caindo do patamar histórico de CDI + 5% para próximo de CDI + 3%), capturando ativos de alta qualidade com margem de segurança atrativa.

Saiba mais em: The AgriBiz

🌱Coopercitrus Expo celebra 50 anos da cooperativa e projeta R$ 2 bilhões em negócios

A Coopercitrus deu início à Coopercitrus Expo, realizada em Bebedouro (SP), marco que celebra os 50 anos de fundação da cooperativa de cafeicultores e citricultores de São Paulo. Considerada uma das principais feiras de tecnologia e insumos do agro paulista, a edição marca a expectativa de retomada do otimismo no mercado produtivo local, projetando movimentar R$ 2 bilhões em negócios ao longo do evento.

A celebração cinquentenária reflete a consolidação da entidade como um dos maiores hubs cooperativos do país, reunindo mais de 38 mil cooperados. O encontro foca na oferta de soluções tecnológicas para lavouras de citros, café, cana-de-açúcar e grãos, combinando condições especiais de financiamento, barter e tecnologias de agricultura de precisão para apoiar os produtores no planejamento estratégico da safra.

Saiba mais em: AgFeed

🌾 Coamo expande presença no Paraná com novos ativos da Belagrícola

A Coamo, maior cooperativa agroindustrial do país, deu continuidade à sua estratégia de expansão ao fechar acordos de aquisição e locação de estruturas operacionais da Belagrícola em cinco municípios paranaenses: Imbituva, Sertanópolis, Ibiporã, Primeiro de Maio e Irerê (distrito de Londrina). O movimento aproveita o processo de reestruturação da rede de insumos — que busca desmobilizar ativos para sanar um passivo bilionário em recuperação extrajudicial — e fortalece a presença da cooperativa nas regiões Norte, Norte Pioneiro e Centro-Sul do estado.

Esta nova cartada soma-se a um histórico recente de avanços da Coamo sobre os ativos da distribuidora, que incluiu a compra de quatro armazéns por R$ 136 milhões no início do ano, contratos de operação de dez unidades e a aquisição de uma planta de beneficiamento de sementes em Tamarana (PR). Paralelamente, a cooperativa investe R$ 64,2 milhões (com R$ 60,5 milhões financiados pelo BNDES via Plano Safra) na construção e ampliação de silos em Campo Mourão e Rio Ivaí (PR), impulsionando sua capacidade de armazenagem para suportar a demanda da sua usina de etanol de milho e a movimentação de grãos de seus mais de 32 mil cooperados.

Saiba mais em: AgFeed

📈 Citi reduz preço-alvo da SLC Agrícola, mas prevê melhora no 2º trimestre

O banco Citi cortou novamente o preço-alvo das ações da SLC Agrícola (SLCE3) de R$ 22,00 para R$ 20,50, mantendo a recomendação "neutra". A revisão reflete o ambiente global mais pressionado para as commodities agrícolas e a margem de rentabilidade menor esperada para a safra 2024/25, com projeções de queda nos preços médios do algodão e do milho.

Apesar do reajuste de longo prazo, a instituição projeta uma recuperação pontual nos resultados financeiros do segundo trimestre da companhia. O Citi estima que o EBITDA ajustado alcance R$ 518 milhões no trimestre — um salto significativo em relação aos R$ 380 milhões do mesmo período do ano anterior —, impulsionado pelo maior volume de entregas de soja e pela recuperação na comercialização de algodão e milho em relação ao início do ano.

Saiba mais em: AgFeed

LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR

🐔 Suspensão do frango brasileiro na União Europeia deve durar até novembro

A suspensão das exportações de carne de frango do Brasil para a União Europeia deve se estender pelo menos até novembro, segundo fontes do setor. O adiamento do prazo é um desdobramento direto do impasse sanitário com o bloco europeu, que decidiu barrar as proteímas de origem animal brasileiras em razão das divergências sobre as regras de rastreabilidade e controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A extensão desse veto amplia a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, que precisam redirecionar volumes para outros mercados globais para evitar prejuízos enquanto o Ministério da Agricultura tenta negociar uma saída técnica com as autoridades sanitárias da União Europeia. Como o ajuste exige a implementação de rigorosos protocolos de conformidade e auditoria, o mercado já trabalha com um cronograma mais longo para a eventual retomada dos embarques para o continente europeu.

Saiba mais em: The AgriBiz

DE OLHO NO CAMPO

🌱 Área plantada de soja deve estagnar no Brasil pela 1ª vez em 20 anos, prevê Rabobank

Após duas décadas de expansão contínua a uma taxa média de 4% ao ano, a área destinada ao cultivo de soja no Brasil deve ficar estável na safra 2026/27. A estimativa do Rabobank sinaliza um ponto de virada no setor, impulsionado por um ambiente de preços mais baixos da commodity, margens comprimidas ou negativas, aperto no crédito rural e incertezas quanto ao custo dos insumos.

Mesmo com a estagnação da área (mantida em cerca de 49 milhões de hectares), o banco refuta o risco de contração e projeta a produção em 178 milhões de toneladas métricas — uma leve oscilação frente ao recorde de 182 milhões da safra anterior. A desaceleração na conversão de novas áreas e pastagens deve redirecionar o foco dos produtores para a otimização de terras já existentes, eficiência operacional e ganhos de produtividade via sistemas de dupla safra, oferecendo também um suporte moderado aos preços globais do grão.

Saiba mais em: The AgriBiz

🦆 Brasil veta produção e comercialização de foie gras e torna-se pioneiro na América Latina

A Lei 15.475 foi sancionada e entra em vigor em um prazo de 180 dias, proibindo oficialmente a produção e a comercialização no Brasil de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais (gavage). Com a nova legislação, o país torna-se o primeiro da América Latina a banir integralmente o consumo e a venda do foie gras (fígado gordo de patos, gansos e marrecos), estendendo o veto tanto aos itens in natura quanto aos processados e importados.

A medida enquadra o descumprimento da norma na Lei de Crimes Ambientais por maus-tratos a animais, sujeitando os infratores a sanções administrativas, apreensão de produtos, multas e penas de até um ano de detenção. Embora o volume produzido nacionalmente fosse marginal e dependente de importações (principalmente da França), o Brasil junta-se a cerca de 20 países (como Reino Unido, Alemanha e Argentina) que já restringiram a prática por razões de bem-estar animal.

Saiba mais em: Forbes Brasil

📖 Conteúdos que valem o seu tempo:

  • Artigo: Inteligência Climática: A Nova Fronteira do Investimento no Agronegócio

  • Podcast: #RT175: Tecnologia no Campo: O Produtor como Protagonista com Patrik Lunardi

Amanhã cedo tem mais! De segunda a sexta, com você no ritmo do agro,
Nathalia Schrnoveber - Conteúdo na Rural